quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Tem gente que não leva jeito pra jogar futebol...

O futebol brasileiro ainda consegue me surpreender negativamente a cada dia, por incrível que pareça! E o mais incrível é no que ele me surpreende: justamente pelos mesmos fatos que acontecem vez ou outra. Se tem um ditado que define perfeitamente o Campeonato Brasileiro é justamente esse: "O mundo dá voltas", ou, melhor ainda, o futebol mambembe dá sempre as mesmas voltas por aqui.

Era uma vez um jovem e inocente jogador chamado Rafinha, que sonhava um dia em fazer sucesso no futebol e ganhar grana na Europa, como quase todo o jogador de Terceiro Mundo. Ele jogava a Série C do Campeonato Brasileiro no desconhecido time do Toledo(PR). Seu time tinha um jogo contra o Marcílio Dias (SC), e dependendo do resultado do outro jogo do grupo, um empate classificaria os dois times. Depois de jogarem um primeiro tempo horroroso, os times demoram demais pra voltar a campo do intervalo. Quando voltam, surpresa! O time do Marcílio Dias resolveu trocar o uniforme e, "coincidentemente", ficou com as mesmas cores do time adversário. Tiveram que voltar ao vestiário, colocar os velhos uniformes de volta e jogar o segundo tempo, já com 15 minutos de atraso em relação outro jogo do grupo.

Ao saberem que o outro jogo havia terminado empatado, eis que o jogo só tem passes e passes, de uma forma tão displicente que daria pra desconfiar de uma combinação de resultado entre os dois times. Pois foi exatamente o que aconteceu, e o responsável pela denúnica foi, justamente, Rafinha, que inocentemente denunciou os dirigentes dos dois times, dizendo que a partida já estava combinada entre eles, com o aval de técnico e jogadores.

A Promotoria do STJD então denúnciou o fato ocorrido, que foi a julgamento. Numa primeira instância, pra variar, não deu em nada. A não ser para o jogador que fez a denúncia, que ficou suspenso por 5 jogos. Os times, os dirigentes, o técnico e os outros jogadores nada sofreram. A promotoria recorreu.

Então, um fato nada inédito no nosso futebol aconteceu. O STJD, pra variar também, mudou todas as sentenças no segundo julgamento, pra fazer bonito à imprensa, retirando os times da competição. O técnico continuou absolvido, porque insistiu na versão de que o presidente do clube é quem havia mandado torcar as camisas do time, o que foi confirmado pelo cartola (já sabendo que nada acontecerá para ele). Enfim, todos tiveram um final feliz, já que os times voltarão à mesma competição no ano seguinte. Todos, menos o garoto, que de uma simples suspensão "fica quietinho" levou uma verdadeira lapada, sendo excluído do futebol profissional para sempre. Logo ele, que foi a pessoa que denunciou a fraude entre os times, agora provavelmente terá que aprender a fazer pastel pra vender na feira se quiser sobreviver.

Se o garoto tivesse estudado a História do nosso futebol, encontraria no Caso Loebeling um verdadeiro exemplo a não ser seguido. Quem tenta fazer as coisas certas no nosso país acaba sempre pagando o pato, e quem bate de frente com dirigente brasileiro acaba sempre tendo que pendurar a conta na Quitanda do Joaquim.

Que outros jogadores aprendam a lição. No país do jeitinho, quem não sai da linha acaba caindo no buraco...

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