domingo, 17 de agosto de 2008

China Olímpica

Dia desses, li um comentário de um colunista do portal "Terra" a respeito do comportamento dos atletas chineses nas Olimpíadas. Ele está certo em seu comentário: os chineses, certos de sua nova supremacia no mundo dos esportes, superando os norte-americanos, estão rindo à toa. Tem, sim, a pressão por resultados, mas não a sentem, e fazem disso um incentivo a mais para as suas conquistas. No fim, estão conquistando e se emocionando com as conquistas, mostrando como a dediação e disciplina nos treinos, qualidades que os orientais possuem como nenhum outro povo no mundo, pode trazer resultados muitas vezes surpreendentes e incontestáveis.

Do outro lado, os americanos desconfiam. Vendo sua supremacia se dissipar pela primeira vez desde os jogos de Moscou em 1980, atiram para todos os lados, procurando as mais diversas justificativas. É o doping de um, alteração de idade do outro, enfim. Motivos não faltam. A pressão por resultados e, principalmente, pela perda deles pega os atletas norte-americanos de calças curtas, os colocando numa situação ao qual não estão acostumados: o superado.

Quase todas as justificativas norte-americanas podem ser descreditadas sem ser necessária nenhuma análise mais profunda, mas uma coisa que eles gostam de discutir o tempo inteiro merece ser destacado, sim. Trata-se da inviabilidade de Beijing sediar uma Olimpíada, por diversos motivos, mas principalmente pela repressão aos cidadãos e pela falta de liberdade de expressão. Esse fato merece destaque, pois muitos países dos ditos "civilizados" (e até alguns que não são tão civilizados assim, como esse de onde o blogueiro vos fala) batem nessa tecla como se a China cometesse a maior das atrocidades que se pode cometer contra a humanidade, mesmo que esses países esqueçam de olhar os seus próprios umbigos antes de falar alguma coisa.

Não estou aqui defendendo a calamitosa política "popular" chinesa, com a qual discordo sem discutir, e nem me importo com o que pensam do meu ponto de vista e o que vão comentar, já que o brasileiro é especialista em distorcer os fatos a favor de seu próprio ponto de vista. Mas gostaria apenas de lembrar que a grande maioria dos 1,3 bilhão de pessoas que moram naquele país concordam e são felizes com a política imposta nele. O comportamento sisudo e fechado do oriental não pode ser diagnosticado imperativamente de triste e depressivo, fato que logo é relacionado com o modo de como ele é tratado no país. Os japoneses e sul-coreanos possuem o mesmo comportamento, por exemplo. Fatos como o "Massacre na Praça da Paz Celestial" não mais se repetiram, e os chineses fazem questão de exaltar a nova política e realidade do país. Se não são mostradas cenas de revolta ao regime do país por censura aos meios de mídia chineses, também não há nenhuma exaltação exagerada ao regime, fato que mostra que os chineses estão plenamente adaptados à ele, quer queira os países "democráticos", quer não.

É triste e lamentável sim ver um país tão fascinante como a China ter restrições à liberdade religiosa, por exemplo. Como também é triste assistir aos massacres e a eterna guerra que vivem Palestina e Israel; como é triste assistir a "maior democracia do mundo" devastar países pequenos com desculpas de derrubar regimes ditatorias, e ficar na verdade em busca de seu petróleo; como é triste assistir a países africanos serem devastados pela fome e pela AIDS, enquanto que países ricos discutem uma forma de como mostrar ao mundo o quanto eles estão preocupados com isso, quando na verdade não estão; como é triste ver um país que tinha tudo para ser o melhor pra se viver, ser devastado por toda a sorte de problemas facilmente solucionáveis, como educação, saúde, corrupção e desigualdade social.

Há crimes maiores e piores. Mas nenhum deles é tolerável. Que grandes "democracias" aprendam isso e consigam viver em harmonia e respeitando diferenças. Ninguém sabe o modo certo de viver, e todos que um dia isso acharam, acabaram caindo tanto do cavalo quanto do quadro de medalhas...

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