quarta-feira, 9 de julho de 2008

Um velhinho de Toyota Corolla

Certa vez, em uma comunidade do Orkut chamada "Eu tenho uma teoria" descrevi uma das minhas teorias. O nome dela era "Teoria dos velhinhos de Toyota Corolla".

A teoria dizia basicamente que, aqui no Brasil, o nosso sistema de empregos de jovens, adultos e idosos está completamente equivocado, contribuindo, junto com a educação, para a grande desigualdade social que existe em nosso país.

Se, por exemplo, um jovem em início de carreira se preocupasse apenas com seus estudos na primeira parte da vida, seria um início promissor. Posteriormente, ao entrar na faculdade, se não fosse possível estudá-la sem trabalhar, o jovem deveria pegar os piores empregos possíveis, ou deveriam os empregadores dar a esses jovens esse tipo de emprego, tipo lixeiro, office-boy, gari, lavador de pratos, frentista de posto e até serventes de pedreiro. Sim, um emprego apenas para pagar os estudos. A medida que o jovem se formava e conseguia pagar seus estudos, ai sim iria em busca de sua carreira. E as empresas deveriam auxiliar ao aperfeiçoamento desse jovem, enviando-o aos cursos adequados às necessidades da empresa. Por fim, ao chegar da idade, esse jovem, que teve plano de carreira ao longo dos anos, fecha com chave de ouro sua vida de trabalho na empresa. Se aposenta e, ao garantir seu fundo de garantia privado ou público, esse agora senhor procura alternativas novas em sua vida, como abrir a própria empresa no ramo em que se especializou ao longo dos anos, por exemplo.

A denominação "Velhinho de Toyota Corolla" se refere ao simbolismo de sua bem sucedida vida, tanto como empregado como empresário. Refere-se ao tipo de automóveis que esse tipo de pessoa procura nesse estágio da vida, e que já tem condição de bancá-lo com seus rendimentos.

Ocorre que, essa semana, um fato curioso deu força à minha teoria. Foi a contratação do técnico Luiz Felipe Scolari pelo time inglês Chelsea FC. Em entrevista coletiva à imprensa inglesa, o técnico respondeu todas as perguntas dos jornalistas em inglês, com muito bom humor, notavelmente feliz da vida e cheio de grana no bolso por conta de suas passagens pela Seleção Brasileira, Seleção Portuguesa e, agora, pelo time londrino.

Nesse tempo todo que permaneceu na Europa, Felipão tratou de enriquecer-se não só financeiramente, como culturalmente também. Usou muito bem seu tempo e trânsito livres pela Europa para amadurecer ainda mais como pessoa, e beneficiando toda a sua família com isso, já que seus filhos estudaram nas melhores universidades de Portugal.

Logo ele, que era um beque horroroso do quase desconhecido time gaúcho XV de Novembro, da cidade de Campo Bom, ele mesmo conta essa história pra quem quiser ouvir. Acabou a carreira exatamente como começou, com uma mão na frente e outra atrás, e a partir do momento em que decidiu virar técnico, viu sua vida mudar da água por vinho. Aproveitou todas as suas oportunidades, não se precipitou em nenhum momento da sua carreira, mesmo sendo várias vezes assediado por diversos clubes, e foi símbolo de todas as suas conquistas mais importantes, além de ser querido por todos os lugares que passou. Virou quase uma lenda entre os técnicos do mundo todo. Aos exatos 60 anos de idade, vive o auge de sua vida, numa idade em que muitos já se julgam improdutivos e que nada mais há de se melhorar na vida.

É igual a um velhinho de Toyota Corolla como o Felipão que eu gostaria de ficar quando envelhecesse. quem sabe até com os mesmos milhões na conta bancária... Sonho meu!!!
Ê, Felipão... a gente sabe o porquê desse sorriso no rosto...

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