O futebol masculino está dando o que falar nessas Olimpíadas. A discussão está em torno da validade dessa competição, que não tem a chancela da FIFA, e por esse motivo os clubes europeus, os mais poderosos do planeta e detentores dos melhores jogadores do mundo, não se veem obrigados a ceder seus jogadores com idade olímpica (e também não querem) para a competição da maior celebração do esporte mundial, e criam os mais variados empecilhos para isso. Mas o engraçado disso tudo é que nem todos os principais jogadores são preteridos de disputar a Olimpíada, somente os latinos e africanos. Essa é uma linha de pensamento espinhosa, que a mídia está explorando muito pouco e tentando encobrir o máximo possível, até que se torne inevitável dentro de poucos anos.
Preste atenção na relação de jogadores das seleções olímpicas espanhola e italiana. Quem acompanha os campeonatos desses países terá uma surpresa e tanto. Os principais jogadores com idade olímpica desses países, alguns até titulares absolutos nos maiores clubes europeus, estão lá para defenderem seus países. Não é impressionante notar que nenhum deles teve qualquer tipo de dificuldade para servir à sua seleção?
A resposta disso é a mais óbvia possível, e a que parece mais absurda. O motivo é o mesmo dos jogadores medianos deixarem a América Latina e a África cada vez mais cedo. Ou seja, os europeus querem enfraquecer o futebol desses continentes para fazê-los superiores, tomando o caminho controverso de fazer isso "custe o que custar", no sentido literal da frase. Jogadores dos clubes desses continentes vão cada vez mais jovens para a Europa, fortalecendo os clubes de lá e enfraquecendo os clubes e as seleções de origem dos jogadores. Em alguns países, como Uruguai, Chile, Nigéria, Camarões e Marrocos, vê-se claramente que os europeus já cumpriram seu objetivo.
Os jogadores desses países são comprados e usados pra aquecer os bancos de reserva tanto de clubes grandes como médios. Quando esses jogadores são convocados para defenderem suas seleções nacionais, os clubes eupopeus então entram em ação, com impedimentos dos mais variados, evitando assim que essas seleções usem sua força máxima. Com os jogadores medianos também jogando lá, os países não tem muito pra onde correr.
Uma nova modalidade de enfraquecimento que está sendo adotada pelos europeus é tirar o jogador ainda adolescente de seu país de origem, fazendo a cabeça do mesmo para que abra mão de sua nacionalidade e obtenha a cidadania do país que o "acolheu". Exemplos desses casos pululam no futebol cada vez mais e com mais destaque.
A conivência dos clubes falidos dos países de origem desses jogadores só fazem acelerar esse processo de integralização do futebol, com o objetivo de tornar o esporte mais rico do mundo em um produto exclusivamente europeu. Além, claro, de ajudar os países europeus a terem as seleções mais fortes do mundo, como aconteceu na última Copa do Mundo.
E você que pensava isso ser apenas birrinha pra mostrar quem manda mais no futebol, né?
Obrigado, UOL - Autor(Marcelo Tas)
1 ano atrás
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