terça-feira, 22 de julho de 2008

O chatíssimo "Next Gen" do mundo dos games

Sou um amante confesso dos videogames. Sempre amei jogar aquelas aventuras digitais e encantadoras disponíveis para o meu Mega Drive. Sonhava, um dia, em ter capacidade pra fazer um jogo como esses, e isso incentivou a minha carreira a pender para a informática. É por causa dos games que fiz um terrível curso técnico de Processamento de Dados, ao invés do colegial tradicional. Por causa dele também entrei e larguei de um curso de Ciências da Computação na caríssima Unicid, daqui de São Paulo, e estou tentando terminar um curso de Design de Jogos Digitais na Unicsul, último fracasso ao qual embarquei recentemente em busca de realizar o meu sonho.

Mas também confesso que estou, aos poucos, me desiludindo dessa área. A falta de criatividade e a chatice tremenda que está estampada nos jogos de hoje não me causa mais entusiasmo, pelo contrário. As "novidades" que pululam pelos sites especializados em games pendem-me ao mais clamoroso tédio.

Quando finalmente comprei um PlayStation 2, muitos anos após o lançamento e quando finalmente o preço do console coube no meu orçamento, eu achava que, se tivesse apenas o Winning Eleven como game já seria feliz. Nessa época, eu também me desanimava com o rumo que o mundo dos games estava tomando, porém ainda pelos motivos de preços proibitivos aos padrões brasileiros, muito diferente da época do saudoso Atari e do divertido Master System, por exemplo.

Aos poucos, descobri que o console possuía uma versão estendida do Virtua Fighter 4, que sempre foi meu jogo favorito, e o tal do WE passou a acumular poeira no meu estojo de jogos. Até descobrir "Shadow of the Colossus", "Ico" e "Okami". No dia em que vi e joguei tais jogos, estava claro para mim que a indústria dos games tinha chegado ao seu auge. Jamais tinha jogado algo tão belo, divertido, envolvente e emocionante. A Arte finalmente tinha se aliado aos games, e o resultado era espantosamente primoroso.

Porém, descobri pouco tempo depois que essa época era a do lançamento do PS2, pois eram jogos antigos (exceção de "Okami", que foi ainda uma tentativa de dar luz aos tempos atuais). Depois de anos alheio ao mundo dos games (não adquiri um PSX, por exemplo), decepcionei-me ao constatar que jogos ao estilo FPS (jogos de tiro em primeira pessoa) tinham dominado o mercado. Counter-Strike foi um verdadeiro fenômeno da época, e todas as indústrias de games tratavam de copiá-lo, trazendo para os jogadores inúmeras versões de "mais do mesmo".

Hoje, no chamado "Next Gen" dos games, constata-se um verdadeiro temor de inovação e crise de criatividade. Os lançamentos prometidos são novas continuações de games consagrados no passado (hoje chamados de "franquias"), tudo para não arriscar perder o dinheiro investido com a pesada tecnologia e com as centenas de desenvolvedores contratados. Trocando em miúdos, novas versões de Resident Evil, The Sims, Silent Hill, Call of Duty, Final Fantasy, GTA e, principalmente, jogos musicais, como Rock Band e Guitar Hero, dominam as feiras expositoras de games, como a quase falecida E3.

O tal do conteúdo online disponível para download foi a maior chatice inventada nos últimos tempos. Afinal, pra quê gastar as tufas com jogos básicos, que por sinal hoje estão caríssimos, quase o preço de um console do passado, se o mais interessante não estão neles, e sim num "conteúdo exclusivo" para ser baixado por quem tem os games?

Mais espantoso ainda é o gosto dos jogadores atuais. Estusiastas dos games esperam avidamente por jogos como o novo Metal Gear Solid 4. Elogiadíssimo pela crítica especializada, o jogo "premia" os gamers com filmes em Computação Gráfica de até 90 minutos!!! É isso mesmo. Hoje os gamers preferem adquirir um jogo no qual podem ficar até 90 minutos SEM JOGAR!!! Não é divertido?!?

Mas ainda vejo luz no fim do túnel. Propostas de consoles e games como os da Nintendo, em que jogamos com controles que possuem sensores de movimento, ainda são um alento para mim, que ainda acredita na diversão e criatividade como base de um bom game. Tem também os jogos casuais, criados pelos próprios gamers e que são um show de cratividade de diversão, mas com tecnologia ultrapassada (graças a Deus, se me permitem o comentário).

Eu já fui muito mais feliz com os games. Hoje, pra falar a verdade, pouco me importa a parafernália que é necessária para rodar tantos polígonos por segundo. De que vale tanta perfeição em detrimento da diversão? Acho que estou velho demais para os games, ou para o conceito de diversão nos dias de hoje. Paciência...

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