Afinal, tem que ser muito cara-de-pau pra declarar tal insanidade.
Vejamos por exemplo a Lei Seca, uma lei exemplar, que visa retirar motoristas embriagados das estradas a longo prazo e, com isso, diminuir o número de acidentes fatais, que estão fazendo o Brasil freqüentar as primeiras colocações nas listas dos piores motoristas do mundo.
Em poucos dias, muitas prisões e multas, corretas, é verdade, mas que apenas mostram que as coisas no Brasil funcionam como mercadorias de camelôs: duram um ou dois meses, no máximo.
Mesmo assim, os "papaizinhos" da classe média-alta, preocupados com seus filhinhos queridos, grandes responsáveis por acidentes cinematográficos em todas as madrugadas, já estão começando a se mexer contra essa "lei absurda".
Como os principais alvos dessa lei são justamente seus filhos playboys, mostram-se contrários à Lei. O pior é ter que ouvir os velhos artifícios de sempre, típicos dessa classe de gente: "somos um país livre", "vivemos numa democracia", "essa lei é excessivamente repressiva", "não estamos mais na Ditadura", "essa lei é mal-feita e coloca todos os motoristas no mesmo balaio" (leia-se pobres e ricos, caso tenham pensado de outro modo), "a lei é um abuso ao direito do cidadão" (de classe A e B, claro), enfim.
Mas o que me irrita definitivamente é a mídia privada (sempre ela!) acatar os reclames desses burgueses, midiando críticas ao formato da Lei, seu sistema rigoroso de punição e manutenção policiais rodoviários, entrevistas com promotores simpáticos à impunidade e, o mais bizarro, fazendo comparações de doses de álcool permitidas no nosso país e nos outros países sem, é claro, mostrar os países que são mais rigorosos que o nosso, como os desconhecidos Estados Unidos. Até uma campanha pró-bombom de licor já foi lançada pela mídia, mostrando como a lei pode ser tão impiedosa com os consumidores desses que vierem a dirigir.
A lei apavora, principalmente, os maus motoristas. Todos sabemos lá no fundo que se dirigirmos corretamente um carro, que ainda por cima esteja em perfeitas condições, mesmo tendo tomado uma lata de cerveja (que não afeta em quase nada nossa coordenação motora, já dizem os especialistas) não seremos parados por guardas. Mas se houver aldo de irregular no seu carro e ser percebido pelas autoridades, ou se costuma dirigir de forma perigosa, prepare-se para ser punido pelo pior crime: dirigir embriagado, mesmo que por pouco. A mensagem agora é clara: Se for dirigir, não beba, e se beber, saiba exatamente no que está se metendo.
É uma pena que a nossa "imprensa livre" esteja sempre vigilante aos privilégios dos mais afortunados do que aos infortúnios que sua postura pode causar ao nosso país.
Não se preocupe, playboy! Papai já está tomando providências para que você saia dessa também ileso, como sempre...
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