quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Você é o que você come? Ou o que você lê?

Faz tempo que não escrevo aqui...

Muitos assuntos me fizeram quase escrever aqui, mas a preguiça é uma péssima conselheira, devo avisar...

Enquanto isso, ia vivendo, comendo e lendo.

E cada vez mais me preocupo em como a gente anda vivendo, comendo e, principalmente, lendo.

Pergunto a você, leitor: o que você lê?

Você se acha muito culto e bem informado porque tem o privilégio de ler as revistas e jornais mais caros do país, outrora conceituados e seguras fontes de informações imparciais?

Ou você se acha um ignorante por não conseguir acompanhar o que está de mal acontecendo no mundo, e só consegue perceber que cada vez mais estão roubando seu suado dinheiro em impostos, esquemas fraudulentos e cobranças indevidas?

Pois te digo uma coisa: hoje em dia, quanto mais você lê, dependendo do que lê, menos informado você está, mais preconceituoso você fica e mais a sua suposta falta de educação e senso crítico o arrasta para posições reacionárias, seja qual lado ela estiver.

Diga-me em segredo, leitor: você está feliz com o seu país? Você está feliz com quem o governa? Mas e esse pessoal que está aí, roubando dinheiro adoidado e não é preso de maneira alguma?

É tudo farinha do mesmo saco?

Se você acha que sim, que é tudo farinha do mesmo saco, e que o país é vítima da "gangue dos PeTralhas", eu me sinto triste por você.

É apenas mais uma pessoa que não consegue enxergar um palmo na frente do nariz, e não consegue refletir idéias, absorver novos conceitos e rever posições ideológicas, como a esmagadora maioria das pessoas que vivem nesse país, sem educação adequada e sem a formação devida de senso crítico.

Graças ao meu bom Deus, não tenho religião, apesar de crer em Deus; não tenho partido político e não sou adepto de nenhuma corrente política ideológica. Eu quero apenas o melhor pro meu país e para todos os seres humanos. Essa é a minha idéia de vida.

Não caio mais na grande maioria de armadilhas contidas em discursos religiosos ou de jornais e revistas que tentam moldar minhas convicções ideológicas. Eu leio, mas sei o que estou lendo e o que absorver para mim.

E você? Sabe se lê o que só lhe agrada ou se lê o que lhe serve?

Um ditado da vovó parecia não fazer mais sentido nos dias de hoje, mas nunca esteve tão atual: "Quem dorme com cobra, acaba morrendo picado!"

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Chora, Brasil Olímpico!!!

Outro destaque nessas Olímpíadas veio do chororô dos atletas brasileiros, ao não conseguirem, principalmente, cumprir expectativas depositadas neles por seu país, como se tivessem tal obrigação depois de serem abandonados à própria sorte por dirigentes e confederações esportivas. O brasileiro, aquele da vingancinha, não perdeu tempo e já atribuiu a esses atletas os rótulos de "amarelões" e "desequilibrados psicologicamente", muito também para confortar suas frustrações pessoais e jogar a culpa em terceiros, outras características marcantes do brasileiro.

Acontece que esses atletas têm o mesmo sonho que qualquer brasileiro: ver nosso país um dia ser como ele tem potencial para ser. E esses atletas acham que podem começar isso tornando-se heróis nacionais, exemplos a serem seguidos por todos os cidadãos brasileiros e mostrar que vale a pena muito esforço e dedicação para conquistar nossos objetivos na vida. É por isso que a saltadora, o nadador e todos os outros ganhadores de medalhas (exceção feita ao futebol masculino, que é o retrato do povo brasileiro como ele é quando ganha muito dinheiro) também choraram ao conquistar seus objetivos. Além de terem cumprido com as expectativas depositadas neles, conseguem vislumbrar para um futuro longínquo a massificação do esporte em nosso país.

Por isso nossos atletas despejam "vale de lágrimas" quando vencem. Uma medalha olímpica aqui no Brasil tem muito mais valor do que uma medalha pra um americano, por exemplo. Esse já vai à Olimpíada com o propósito de levar a medalha pra casa, e caso não consiga foi apenas um acidente de percurso, a ser consertado na próxima competição. O significado de Olimpíadas para os dois países é tão diferente quanto a idéia que temos do mundo e de seus problemas, e a idéia que eles têm.

E também por isso que choram os atletas que não trazem nada para o país, mesmo os que eram favoritos. A frustração desses atletas é tão grande que não dá nem pra imaginar como é, só no lugar deles mesmo para sentir. A pressão por resultados que eles sentem não é principalmente pelo seu rendimento individual, mas sim pelo prazer de mostrar ao brasileiro que ele deve ter orgulho de seu país, apesar de todas as mazelas que vivemos diariamente. Ora, só uma pessoa sem sensibilidade e um mínimo de senso crítico não percebe isso. O que faria Jade Barbosa e Diego Hipólito passar anos treinando pra uma competição como essa, ganhando menos de um salário mínimo por mês? Será que QUALQUER OUTRA COISA que eles fizessem pra garantir unzinho no fim do mês não seria mais rentável? Será que é prazeroso demais para eles fazerem o que amam ganhando tão pouco, sendo tão cobrados e ainda por cima enchendo de calos suas mãos e de contusões as suas pernas?

Ao menosprezarmos os resultados de nossos atletas, exigindo deles sempre a excelência mesmo que não tenham condições estruturais para isso, estamos dando mais significado ao tal "complexo de vira-latas" que nos é rotulado em toda Olimpíada, bem como em toda outra boa coisa que o brasileiro faz. Devemos sim cobrar de autoridades e dirigentes a melhora de condições para disputa de competições de altíssimo rendimento como uma olimpíada. Mas aos nossos atletas devemos apenas respeitá-los e aplaudirmos de pé. Afinal de contas, não é em qualquer lugar do mundo que existe pessoas que sofrem mais com o suposto sofrimento que sentimos por eles do que o sofrimento deles próprios pela derrota, como mostraram as meninas do futebol ao ganharem a prata, por exemplo.

E quem irá chorar mais quando ela sair de cena?

Chupa, Brasil Olímpico!!!

Terminadas as Olimpíadas, aparecem na mídia e entre especialistas os velhos comentários sobre nossa política esportiva, e despejam enxurradas de surradas soluções para a melhoria do nosso esporte bretão (em geral, tá? não só o principal). Muitas fórmulas prontas para trazermos medalhas de Olimpíadas a médio prazo estão prontinhas para saírem do papel, faltam apenas a boa vontade dos políticos. E por isso a coisa não anda.

Mas nessas Olimpíadas de Pequim em especial duas características comportamentais típicas do brasileiro tiveram destaque: o chororô e a vingancinha.

A vingancinha veio das meninas do vôlei, que após quatro anos de gozações e humilhações em nosso próprio país (já que para o resto do mundo a nossa Seleção é a melhor há tempos), despacharam impiedosamente todas as adversárias, como fez o time de basquete americano com os seus rivais. E depois de destruírem a última Seleção na final olímpica, mandaram um recado claro ao brasileiro: "Agora cala tua boa e aplauda-me de pé!".

E estão certíssimas em fazer isso, já que muita gente do Brasil que gosta de botar rótulo (outra característica "marcante" do brasileiro) não perdia a a oportunidade de descer a lenha nas meninas em cada fracasso que aparecesse. No técnico, então, nem se fala. Esquecida sua primeira medalha em esportes coletivos para o Brasil (Barcelona-1992 no vôlei masculino), era muitas vezes chamado de imbecil e ultrapassado. Mais contido, ao ganhar a medalha de ouro ele não provocou reações de ninguém, simplesmente porque ele achava que não devia dar resposta pra ninguém.

Mesmo assim, o brasileiro, que adora uma vingancinha, adora fazer os outros calarem a boca por conta de muitas decisões contraditórias que ele toma no dia-a-dia e também gosta muito de ver o circo pegar fogo em todas as situações, mostra que "não sabe brincar" quando é ele quem tem que "pegar o banquinho e sair de mansinho", como diz Raul Gil. Deve ser duro pra uma pessoa que não consegue resolver sua vida profissionalmente ver o sucesso suado de meninas tão talentosas quanto às nossas do vôlei feminino.

O negócio então é mudar de esporte... pra criticar!!!

Pelo jeito, a Sharapova também concorda com a Mari e as outras meninas do vôlei...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Educação de 1º Mundo é em casa!!!

Um curioso caso tramita na Justiça. Um caso que merece muita reflexão, aliás. Trata-se do caso dos adolescentes Jonatas, de 14 anos, e Davi, 15 anos, filhos do Sr. Cleber e da Sra. Bernadeth Nunes, autodidatas em design e moradores da cidade de Timóteo (216 km de Belo Horizonte).

Os adolescentes estão há dois anos e meio longe das escolas e estão estudando somente em casa, num método de ensino chamado de "homeschooling" pelos americanos. Esse método é proibido pela legislação brasileira, mas os pais não enfrentam a Justiça por acaso. Eles atribuem suas decisões à má qualidade do ensino do país e à violência nas escolas. Um motivo e tanto, não acham? Principalmente quando sabe-se que eles estão com toda a razão!

Esse fato me fez refletir sobre o nível da educação brasileira. Chegou-se ao ponto de os pais preferirem educar seus filhos em casa, contratando professores particulares ou comprando os melhores livros didáticos, do que fazê-los perder tempo na escola pública, um ensino que está falido e desmoralizado. Só não vê quem não quer.

Quando questionado sobre essa polêmica, especialistas soltam pérolas como "Existe o ponto de vista maior, que é preservar uma política pública. Não dá para deixar que cada um resolva a escolaridade do seu filho à sua maneira." Ora, se não resolvermos dar aos nossos filhos uma turbinada em sua educação sem apelar para as caríssimas escolas particulares (que sabem que dão um ensino muito superior, por isso elevam absurdamente seus preços), como faremos para que eles fiquem devidamente preparados para a vida?

Outra pérola, de outra especialista: "A família pode fornecer condições de socialização de outras formas, mas o difícil é ter esse contexto de sala de aula, de coletivo". Mas é claro! Como podemos ser tão insensíveis de deixar nossos filhos livres das práticas de "bullying" existentes nas escolas de hoje, apelidado carinhosamente pelas diretorias de "convívio social"? Qual o motivo de preservar os filhos que não se adequam aos "padrões impostos pela sociedade" de humilhações e perseguições diárias? Isso é realmente obrigatório para a nossa formação como cidadão?

Uma das soluções que eu havia encontrado para a calamitosa situação da educação em nosso país seria a implantação de escolas em tempo integral. Mas depois de ler essa notícia e refletir melhor sobre a situação da educação e das nossas escolas públicas, sem quadras, sem laboratórios e sem bibliotecas, penso no porque tirar grande parte da infãncia de nossos filhos em detrimento de um método educacional que não funciona.

Pensem quais serão as disciplinas estudadas em sala de aula, e que tipo de discussão seria feita por esses alunos em sala de aula. Crianças o dia inteirinho na sala de aula, sem ter o que aprender, em escolas sem nenhuma estrutura, com professores despreparados e desmotivados, sem quadras de esporte, sem incentivo à leitura e sem nenhum tempo disponível para que os pais possam discutir com os filhos os assuntos aprendidos na escola. Nenhum político pensou ainda num cenário desses, e é somente por isso que as escolas integrais ainda não existem. Um quadro nacional desse tipo para nossas futuras gerações é o que todo político pede ao Papai do Céu antes de dormir.

Nossos governantes ainda não entenderam que a fórmula de preosperidade de um país (e conseqüentemente a prosperidade deles também) é um investimento sólido na educação. E muitos pais ainda não percebem o valor que uma escola têm para a sobrevivência de seus filhos. Por isso o país continua à mercê de pilantras e toda a sorte de corruptos, fazendo o que querem, a hora que querem e pisando em quem for necessário. Eu particularmente acho louvável a decisão dos pais dos adolescentes, espero que eles ganhem sua causa e dêem início a um novo movimento educacional no país. O movimento que fará com que os brasileiros andem com as próprias pernas e não fiquem presos ao descaso do Estado Brasileiro.

Sobre o caso: Folha Online

domingo, 17 de agosto de 2008

China Olímpica

Dia desses, li um comentário de um colunista do portal "Terra" a respeito do comportamento dos atletas chineses nas Olimpíadas. Ele está certo em seu comentário: os chineses, certos de sua nova supremacia no mundo dos esportes, superando os norte-americanos, estão rindo à toa. Tem, sim, a pressão por resultados, mas não a sentem, e fazem disso um incentivo a mais para as suas conquistas. No fim, estão conquistando e se emocionando com as conquistas, mostrando como a dediação e disciplina nos treinos, qualidades que os orientais possuem como nenhum outro povo no mundo, pode trazer resultados muitas vezes surpreendentes e incontestáveis.

Do outro lado, os americanos desconfiam. Vendo sua supremacia se dissipar pela primeira vez desde os jogos de Moscou em 1980, atiram para todos os lados, procurando as mais diversas justificativas. É o doping de um, alteração de idade do outro, enfim. Motivos não faltam. A pressão por resultados e, principalmente, pela perda deles pega os atletas norte-americanos de calças curtas, os colocando numa situação ao qual não estão acostumados: o superado.

Quase todas as justificativas norte-americanas podem ser descreditadas sem ser necessária nenhuma análise mais profunda, mas uma coisa que eles gostam de discutir o tempo inteiro merece ser destacado, sim. Trata-se da inviabilidade de Beijing sediar uma Olimpíada, por diversos motivos, mas principalmente pela repressão aos cidadãos e pela falta de liberdade de expressão. Esse fato merece destaque, pois muitos países dos ditos "civilizados" (e até alguns que não são tão civilizados assim, como esse de onde o blogueiro vos fala) batem nessa tecla como se a China cometesse a maior das atrocidades que se pode cometer contra a humanidade, mesmo que esses países esqueçam de olhar os seus próprios umbigos antes de falar alguma coisa.

Não estou aqui defendendo a calamitosa política "popular" chinesa, com a qual discordo sem discutir, e nem me importo com o que pensam do meu ponto de vista e o que vão comentar, já que o brasileiro é especialista em distorcer os fatos a favor de seu próprio ponto de vista. Mas gostaria apenas de lembrar que a grande maioria dos 1,3 bilhão de pessoas que moram naquele país concordam e são felizes com a política imposta nele. O comportamento sisudo e fechado do oriental não pode ser diagnosticado imperativamente de triste e depressivo, fato que logo é relacionado com o modo de como ele é tratado no país. Os japoneses e sul-coreanos possuem o mesmo comportamento, por exemplo. Fatos como o "Massacre na Praça da Paz Celestial" não mais se repetiram, e os chineses fazem questão de exaltar a nova política e realidade do país. Se não são mostradas cenas de revolta ao regime do país por censura aos meios de mídia chineses, também não há nenhuma exaltação exagerada ao regime, fato que mostra que os chineses estão plenamente adaptados à ele, quer queira os países "democráticos", quer não.

É triste e lamentável sim ver um país tão fascinante como a China ter restrições à liberdade religiosa, por exemplo. Como também é triste assistir aos massacres e a eterna guerra que vivem Palestina e Israel; como é triste assistir a "maior democracia do mundo" devastar países pequenos com desculpas de derrubar regimes ditatorias, e ficar na verdade em busca de seu petróleo; como é triste assistir a países africanos serem devastados pela fome e pela AIDS, enquanto que países ricos discutem uma forma de como mostrar ao mundo o quanto eles estão preocupados com isso, quando na verdade não estão; como é triste ver um país que tinha tudo para ser o melhor pra se viver, ser devastado por toda a sorte de problemas facilmente solucionáveis, como educação, saúde, corrupção e desigualdade social.

Há crimes maiores e piores. Mas nenhum deles é tolerável. Que grandes "democracias" aprendam isso e consigam viver em harmonia e respeitando diferenças. Ninguém sabe o modo certo de viver, e todos que um dia isso acharam, acabaram caindo tanto do cavalo quanto do quadro de medalhas...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Tem gente que não leva jeito pra jogar futebol...

O futebol brasileiro ainda consegue me surpreender negativamente a cada dia, por incrível que pareça! E o mais incrível é no que ele me surpreende: justamente pelos mesmos fatos que acontecem vez ou outra. Se tem um ditado que define perfeitamente o Campeonato Brasileiro é justamente esse: "O mundo dá voltas", ou, melhor ainda, o futebol mambembe dá sempre as mesmas voltas por aqui.

Era uma vez um jovem e inocente jogador chamado Rafinha, que sonhava um dia em fazer sucesso no futebol e ganhar grana na Europa, como quase todo o jogador de Terceiro Mundo. Ele jogava a Série C do Campeonato Brasileiro no desconhecido time do Toledo(PR). Seu time tinha um jogo contra o Marcílio Dias (SC), e dependendo do resultado do outro jogo do grupo, um empate classificaria os dois times. Depois de jogarem um primeiro tempo horroroso, os times demoram demais pra voltar a campo do intervalo. Quando voltam, surpresa! O time do Marcílio Dias resolveu trocar o uniforme e, "coincidentemente", ficou com as mesmas cores do time adversário. Tiveram que voltar ao vestiário, colocar os velhos uniformes de volta e jogar o segundo tempo, já com 15 minutos de atraso em relação outro jogo do grupo.

Ao saberem que o outro jogo havia terminado empatado, eis que o jogo só tem passes e passes, de uma forma tão displicente que daria pra desconfiar de uma combinação de resultado entre os dois times. Pois foi exatamente o que aconteceu, e o responsável pela denúnica foi, justamente, Rafinha, que inocentemente denunciou os dirigentes dos dois times, dizendo que a partida já estava combinada entre eles, com o aval de técnico e jogadores.

A Promotoria do STJD então denúnciou o fato ocorrido, que foi a julgamento. Numa primeira instância, pra variar, não deu em nada. A não ser para o jogador que fez a denúncia, que ficou suspenso por 5 jogos. Os times, os dirigentes, o técnico e os outros jogadores nada sofreram. A promotoria recorreu.

Então, um fato nada inédito no nosso futebol aconteceu. O STJD, pra variar também, mudou todas as sentenças no segundo julgamento, pra fazer bonito à imprensa, retirando os times da competição. O técnico continuou absolvido, porque insistiu na versão de que o presidente do clube é quem havia mandado torcar as camisas do time, o que foi confirmado pelo cartola (já sabendo que nada acontecerá para ele). Enfim, todos tiveram um final feliz, já que os times voltarão à mesma competição no ano seguinte. Todos, menos o garoto, que de uma simples suspensão "fica quietinho" levou uma verdadeira lapada, sendo excluído do futebol profissional para sempre. Logo ele, que foi a pessoa que denunciou a fraude entre os times, agora provavelmente terá que aprender a fazer pastel pra vender na feira se quiser sobreviver.

Se o garoto tivesse estudado a História do nosso futebol, encontraria no Caso Loebeling um verdadeiro exemplo a não ser seguido. Quem tenta fazer as coisas certas no nosso país acaba sempre pagando o pato, e quem bate de frente com dirigente brasileiro acaba sempre tendo que pendurar a conta na Quitanda do Joaquim.

Que outros jogadores aprendam a lição. No país do jeitinho, quem não sai da linha acaba caindo no buraco...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"Carnafacul" fora de época

Há alguns dias eu li no site da UOL/Folha sobre os resultados do Enade, o exame nacional dos cursos superiores, antigo "Provão".

Os resultados não surpreenderam ninguém. As universidades públicas continuam sendo as melhores, muito graças ao seu polêmico processo seletivo de candidatos (os famigerados Vestibulares) e seu famoso grau de dificuldade elevado, mas também aos louváveis incentivos à pesquisa, maior grade de disciplinas e maior tempo para cursá-las. Os alunos que lá estudam nem sempre são os melhores, mas muitas vezes são os que sentem mais preparados para a vida pós-acadêmica, pois têm a certeza da ótima educação que lhes foi proporcionada.

Na contramão, as universidades particulares continuam sendo as maiores vilãs. São elas que mantém no país o tradicionalíssimo "pagou, passou!", com mensalidades caríssimas e nível de ensino aquém do que demanda os alunos dessas instituições. Salvo raríssimas exceções (que por "coincidência", são as mesmas que já tem mais de meio século de existência e tradição), todas elas são verdadeiras instituições caça-níqueis, embelezando seus prédios e laboratórios inúteis e pouco valorizando o principal, que é o aprimoramento do corpo docente e a busca da excelência de ensino.

Porém, a vida sempre aguarda uma surpresa curiosa para nossa profunda reflexão.

Eis que, em fórum de discussão no mesmo site em que li a matéria, me chamou a atenção alguns supostos alunos da USP e da Unicamp, instituições que não participaram da avaliação, por protesto. Eles rechaçam o método de avaliação, declarando que a forma correta de avaliação não seria a avaliação dos alunos, mas sim do corpo docente das universidades.

Em universidades que possuem um Dr. Ivo Pitanguy em cadeiras titulares de Medicina, como a USP por exemplo (mesmo que ele nunca apareça para dar aulas lá), não é difícil imaginar o porque.

Como todas as outras universidades públicas do país não se omitiram de participar da avaliação, todas elas mostraram o porque de serem tão disputadas, com direito a alunos dessas instituições declararem que a prova estava "patéticamente fácil" e que "tinha tantos desenhos quanto um gibizinho da Mônica" (algumas universidades particulares tiraram conceito 1, o mínimo de 5 possíveis. Desnível preocupante, não?!?). A Unesp acabou por ser considerada a melhor universidade do país, fato que causou o chilique de "uspeiros" e "unicampeiros" do fórum, quase sua totalidade em discursos esquerdistas ou ofensivas contra a instituição vencedora. Foi considerada uma ofensa o não-reconhecimento dessas universidades como a nata do intelectualismo no país, mesmo que alguns outros "uspeiros" mais realistas se esforçassem para mostrar alguns dos defeitos que essas instituições insistem em maquiar.

O bordão "o aluno é quem faz a faculdade" nunca esteve tão na moda para as universidades particulares, ávidas por arrumar desculpas para a horripilante avaliação de suas instituições. Mas será que alguns alunos de certas universidades públicas estão querendo que o diploma procure o emprego para eles enquanto se divertem em farras universitárias? Não seria muito egoísmo brigar por uma causa particular em prol da banalização da já frágil educação acadêmica brasileira? Por que será que esses alunos preferem que outros ditos "inferiores" não tenham direito a uma excelente educação, mesmo que paguem por isso?

Mais uma vez, o brasileiro mostra que o umbigo é o seu melhor conselheiro...